sábado, 6 de novembro de 2010

A tua ausência


Sabe bem chegar a casa, pousar a mala no sofá com a mesma rapidez com que me liberto do cansaço de mais um dia.
Talvez por excesso ou defeito, não sei bem, já me tinha esquecido como é fácil viver sem ninguém a quem responder, a quem informar, a quem dar cinco minutos do meu tempo. Talvez seja este o começo, o princípio da estrada que quero percorrer. Nada me restava nesse canto, e no final de contas, o que é um canto quando se pode ter o mundo inteiro como abrigo? Júbilo a cada passo que dou sozinha, a cada conquista em que sou conquista, pequenas vitorias que dissimulo no barulho acolhedor do relógio.
 Talvez hoje me sinta um pouco sonolenta, um pouco farta, um pouco enraivecida. Oh, e como sabe bem viver a minha raiva em privado.
 Talvez amanha te ligue, te mande uma mensagem, um email, uma nota na porta… quem sabe…quem sabe se amanha não é apenas mais um dia, apenas mais um… dos tantos que sei viver sem ti.


Dedicado a uma grande mulher que sabe como viver

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