sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Histórias de encantar


As histórias infantis criaram uma geração de desencantados com a vida. Milhares de almas perdidas em busca de príncipes encantados, de sapos enfeitiçados, de princesas perfeitas com as medidas certas, de histórias de amor que duram para sempre.
Não existem princesas, existem genes favoráveis e cirurgiões plásticos a enriquecer com a falta de neurónios. Não existem príncipes, existem homens normais, cheios de defeitos e de virtudes, que ainda pensam que dos 17 aos 30 anos ainda são adolescentes, que a cerveja da tasca é o ponto alto do dia e a vizinha do lado uma milf que não se importavam de montar. Os sapos morreram num trágico acidente ecológico, ou então andam por ai, a pensarem que são o maior achado que uma mulher pode ter. Desenganem-se meninos, o melhor achado de uma mulher foram as unhas de gel, o melhor amigo que é gay e uma garrafa de moscatel. E as histórias de amor têm a validade de um pacato de bolachas.
Não existem príncipes, nem sapos nem princesas. Existem mulheres que procuram um homem que dê o mínimo de problemas, que seja engraçado, bonito e bom na cama. Que não nos pague as contas mas a divida connosco, que até gosta de cerveja mas não chega podre de bêbedo a casa todos os dias, que não abdica dos amigos nem das amigas, que saiba debater quer ganhe ou não, que goste da nossa mãe mas não muito, que acredite que até pode ser o certo mas não pensa nisso muitas vezes, que nos desafie em todos os campos e mais alguns. O certo não nos sorri todos os dias, sorri quando lhe apetece e deve.
Quando uma mulher chega a estas conclusões todas e as aceita, mete de lado as histórias infantis e conclui a majestosa frase que um dia um amigo me disse:
“ Não queiras o príncipe encantado, ele é fútil. Prefere antes o lobo mau, ele ouve-te e come-te melhor”

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