segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Excertos da memória

Recorto das noites o silencio, o calmo pingar da chuva lá fora, lágrimas que não se misturam com as minhas. Recordo o passado, num  misto de desencanto e ternura inacabada, como aquele sonho que deixei por sonhar, ansiosa demais pela realidade inconsequente da vida.
Criaram-se castelos, muralhas, portões, desilusões que meu barco naufragado guardava....
Mas quem poderia calcular os delírios de uma mente cansada, a loucura das horas, dos minutos, o doce florear da aurora no horizonte que me viu nascer. E deixei de contar as estrelas...talvez um dia elas me contem... contem quem eu fui, por onde andei, das cinzas que renasci. Não importa o tamanho da fenix que transportamos, mas o tamanho da que vive dentro de nós.
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Ajoelhei-me na escuridão da praia saudosa que me viu chorar minhas magoas. Os medos levados pela maré atravessam a noite, chagas que perfuram a escuridão imaculada. Fecho os olhos, mais cega agora do que com eles abertos, e tacteio as minhas verdades, os caminhos que perdidos ficaram na espuma das ondas que me fustigam o corpo e a alma. Esperanças que se perdem no mudar da estação, solstício que se finda nos rochedos da vida.
Aguardo a luz, eu e a mil almas perdidas neste areal de desencanto, sedentas por um raio, desesperadas ao ponto de confundir a lua com o sol, almejando melhores paragens de gloria.
E das batalhas? E das guerras? O que é feito delas? Não sei, nunca as vi, nunca na totalidade, nunca na verdade, apenas vestígios que meu coração apagou.
Vejo luz... será que também eu vejo a lua? Talvez apenas vejamos aquilo que queremos, num ultimo desatino do destino a que chamaram morte.

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 Senta-te um pouco meu velho amigo, aprecia o momento, a paz é algo rara nos dias que correm. Ouvi falar de ti, da sorte e do azar, da vida que te sustenta, em vez de tu a ela. Talvez ela te tenha dado sonhos, feitiços, vestigios de um sol que já não alcança tua varanda. Senta-te um pouco, deleita-te uma vez mais com o horizonte, com a lua, o sol, com o mundo que nos fez crescer. Conta-me porque caminhos andaste, quem te criou, quem te perdeu, quem te amou sem nunca ser amada, quem amaste sem nunca teres podido ver a reciprocidade do destino na tua mão. Deixa-me afastar as tuas magoas, tuas dores, as lagrimas que ainda te escorrem pela face cansada das desventuras de um caminho acidentado. Deixa-me contar-te as minhas meias verdades, meus meios caminhos, meus amigos, minhas saudades, meus amores e desamores, os pedaços que perdi pela estrada da vida. Contracurvas que o Diabo teceu.
Deixa-te ficar por aqui, quando não existe para onde ir, nem hora marcada para partir, todos os sítios são a nossa casa.