Fecha os olhos e tira as tuas conclusões. Medita sobre quem és, sobre o que esperas, sobre quem podes ser. Mantém os olhos fechados, mesmo quando o mundo gritar demasiado alto aos teus ouvidos e o teu coração estremecer de raiva e amor. Mantêm-te firme no teu lugar, cerra os dentes e os pulsos e combate sem perder os sonhos e a ilusão da vitória. Sabe perder quando a batalha já nada te trouxer de bom, admite a derrota de cabeça erguida mesmo que o sangue da guerra te turve o pensamento.
Pega na alma e engole os segredos, engole quem foste, engole o tempo e o espaço com a mesma coragem com que engoliste a perda. Esquece o passado sem esquecer as lições, rasga a pele sem tocar nos nervos que te mantêm viva. Faz das lágrimas tuas vitórias, do sangue tuas derrotas, dos estilhaços tuas cruzes que mal ou bem hás-de carregar pela vida fora.
Levanta o corpo cansado, mesmo que o peso seja insuportável, e anda. Vira as costas a quem amaste, a quem amou, a quem deixou de amar, a quem nunca conheceu o valor das palavras, quem se cegou pela falta delas.
Respira uma vez, e outra e mais outra… Respira as vezes que forem necessárias, espanta teus fantasmas, teus espíritos, teus dons, tuas visões desfocados do futuro, tuas marcas, tuas historias mal fadadas. Olha o mar com os olhos de quem nunca o viu, olha o presente com a alma de quem nunca viveu. Deixa-te cair uma vez, e outra e mais outra…até que conheças o chão que trilhas. Conhece-te. Conhece-te como nunca ninguém te conhecerá, cada recanto, cada canto e abismo, cada falésia, cada campo de trigo que cultivas tão singelamente dentro dessa bola de cristal que tu és.
Renova tuas verdades, tuas sabedorias, teus modos e teu carácter, renova quem és até á exaustão da perfeição. Olha-te ao espelho, finca cada ruga, cada traço, cada expressão, finca a alma se for preciso!
E no dia que não houver mais verdades para descobrir, nem trilhas para caminhar, nem mundos para conhecer, quando cada pessoa que te rodeia for o teu porto, quando as magoas forem passado e mesmo esse estiver esquecido, abre os olhos. Abre os olhos, o peito, a vida, os amores, e as tristezas, os corações que roubaste, a sorte que deitaste ao vento , o azar que semeaste, os frutos que colheste. Abre as asas e voa! Quando as estradas acabam, ainda há muito céu para desvendar.
Sem comentários:
Enviar um comentário