Ninguém disse que seria fácil assumir as consequências dos teus actos, muito menos das palavras que ficaram por dizer. Ninguém te disse que o mundo parava cada vez que tu estivesses demasiado febril de emoções para pensar. Se alguém o fez, mentiu-te.
As consequências são bichinhos irrequietos que vivem em perfeita simbiose com os bichinhos decisões, alimentando-se da sua força, da sua energia, da sua convicção seja ela grande ou pequena. O mundo é um lugar ardiloso, cheio de manhas e manias, dotado de uma força indestrutível capaz de te aniquilar com um simples pensamento. E com tantas tempestades, tormentas e abismos, como é que existem vencedores numa história apenas talhada para vencidos?
Os vencedores são tão humanos como tu e eu, tão incredulamente reduzidos à sua mortalidade certa, ao seu desencanto natural pela vida, ás suas virtudes que num passado ou num futuro lhes será cobrado. Contudo, são pessoas, seres naturalmente humanos, que conhecem muito bem os caminhos da morte, da vida, que sabem meticulosamente o peso dos pensamentos, as gramas da alma, os quilos que as costas talhadas por chagas conseguem aguentar. E onde tantos tombam, onde muitos outros padecem, eles sorriem. Desafiam a vida, com a mesma astúcia e coragem com que um marinheiro desafia o mar bravio, consciente da morte mas focado no horizonte. Há quem nunca venha a possuir este dom, que viva por viver, que se refugie em si á mínima gota de chuva. Há quem caia sem se levantar e rasteje o resto do caminho, há quem desconheça o que é sentir e mesmo sem o saber sinta.
Ninguém te disse que viver era fácil, principalmente quando a falta de resistência ao tempo e ás consequentes é inerente ao teu ser. Ninguém disse que poderias colar para sempre a tua alma, que os estilhaços iram sempre encaixar, que o espelho iria sempre mostrar o que desejas ver. A chave da vitória é aceitar que por vezes não existem dias de sol, que o coração não é indestrutível, que chorar faz parte e rir é um privilégio, que as acções têm consequências mesmo quando a balança em que as pesas falha.
Nunca ninguém te disse, mas hoje sou eu quem digo.
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