É na passagem vertiginosa do tempo que construímos castelos, casas, paredes e alicerces que nos definem, nos compõem, nos moldam já que a mudança nos é negada na condição mortal a que um ser superior nos condenou.
De todos os males que padecemos e padeceremos, das doenças aos sentimentos, é a saudade que mais nos corrói a alma, devorando lentamente um coração enfraquecido pelos altos e baixo da vida. É legítimo, humano até, sentir pesar pelo que passou, pelos momentos perfeitos, pela angústia de nada resistir ao tic tac de um relógio.
E se todos voltássemos atrás, se o tempo fosse algo constantemente violado pelos nossos desejos e caprichos? Oh doce caos que seria, se pudéssemos aperfeiçoar todos os momentos, remendar os erros, ciclo infinito onde a alma pereceria. Que seria do presente, do futuro, que buscamos teríamos, que batalhas escolheríamos? O segredo está em aceitar que tudo mais tarde ou mais cedo muda, e o conforto do seguro tem os seus encantos, que o presente existe porque num passado, perfeito ou imperfeito, vivemos.
Desamarra teu barco do porto da saudade e deixa que o vento te leve pelo mar bravio, pela calmaria, pela aventura de mais um dia.
Para uma grande amiga
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