quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O fim

Acabou. Adiámos vezes demais o final iminente, crucificámos desejos, feridas, fantasmas que alimentámos em noites tenebrosas. Penhorámos as nossas almas, confiscámos corações, grilhões que o tempo enferrujou.
Hoje me liberto, prisioneira dos meus próprios medos, inseguranças que deixei acomodar numa mente demasiado irrequieta para sobreviver às tempestades furtivas do destino. Nada resta a dizer, fazer, viver numa batalha que jamais almejei. Resta apenas zarpar, abandonar esta praia, abrir as velas, içar a âncora e navegar, partir por fim.
Existem mundos além deste céu, e ate as forças me faltarem, ate o sangue se drenar das minhas veias, eu quero navegar, acalentar em mim o doce abrigo de mais uma história.
Deixo para trás o passado, o trago amargo de uma derrota, as convicções que me serviram de estrutura. Deixo te para trás, figura pálida que me acena onde outrora construí meus castelos, fortalezas que o mar saudoso derrubou. Deixo para trás o Inverno de uma vida, curta é certo, demasiado comprida na realidade. Toca-me… saboreia o sal que resta, tacteei tuas verdades, busca tuas promessas e desfaz-te delas, deita-as ao vento, colhe as tempestades, aparta-te do que restou.
Numa vida repleta de decisões, são as que fazemos de olhos vendados que nos absorvem a felicidade.

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