Nas voltas da vida, tudo o que se precisa é de um dia para a alma, umas horas para o coração, uns segundos para o cérebro. Quando a imensidão do mundo nos engole, e o silencio perpetuo invade a noite sem convite, sem aviso, sem perguntar.
Nas cinzas das horas definimos caminhos, estratégias e batalhas, onde queremos morrer e viver, onde marcamos o nosso porto seguro, onde tudo faz sentido porque sim, simplesmente porque sim. Criamos então a nossa imagem, quem deixamos de ser e quem podemos ser, quem realmente queremos que nos construa. Porque existe sempre alguém que nos constrói, que no molda e nos define como pessoa, humano, como ser de corpo e alma, de sangue e carne.
É na euforia das horas, na criação meticulosa da nossa teia de aranha que sabemos quando algo acabou, quando algo começou, quando o tic tac do relógio nos revela a passagem temerosa do tempo, o tic tac do que nos resta viver.
E é do medo que se criam os piores inimigos, quando as certezas caem por terra e nos derrubam, quando a tempestade é mais forte do que o barco que nos acolhe.
É de escolhas que a vida é feita, dessas pequenas decisões aparentemente tão inocentes e insignificantes que mudam a destino, nos colocam de pernas para o ar a ver o filme da nossa vida.
Abre os braços, eu deixei-me voar, e tu, vais ficar a ver?
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