sábado, 15 de janeiro de 2011

Rosa de Papel

Triste a hora em que partiste meu saudoso amigo. Recordo ainda teu cheiro, embalado nesta brisa fria de Inverno, como se ainda aqui estivesses. Partiste sem que notasses, inebriado por uma vida que nunca te trará caminhos virtuosos, sinuosos passos que dás na calada da noite.
Gostaria de te convidar a ficar um pouca mais, a sentares-te comigo naquele banco de escola em que criámos os primeiros laços tal crianças maravilhadas com as primeiras flores da Primavera, no entanto, a tua hora findou e empréstimos o tempo nunca deu. Hipócrita nos tornámos, ignorando a doce noite que se avizinhava nos nossos corações, minando as manhãs que semeámos no vento.
Procuro ainda sinais da tua passagem no meu corpo cansado, exausta me tornei pelas vezes que tentei encontrar um rasgo de ti nessa tua nova mascara, caras que o Diabo te concedeu caprichosamente.
Vejo a manha a chegar...oh, como rezei eu para que este dia nunca chegasse. Abro-te a porta, num silêncio fulcral, e convido-te a sair desamarrando tuas amarras do meu peito, drenando de mim o que resta do sangue que não regelou pela ausência e saudade.
Guardo ,no entanto, a rosa de papel, em sinal de eterno luto e devaneio, para que me lembre para sempre que até uma rosa de papel pode ser a mais bonita do nosso jardim.

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