Conto nas entrelinhas aquilo que o orgulho foi capaz de calar. Os gestos desconfiados, as palavras trocadas, os sentimentos invertidos que construí numa defesa imaginaria que me pesa penosamente no corpo cansado. Não sei mais como escrever esta vangloriosa derrota, como se o medo talhasse as promessas e as mentiras que contei em busca do esquecimento. Talvez um dia eu perceba que estou aqui apenas por um momento, e que mais cedo ou mais tarde terei de fugir, esconder-me de tudo aquilo que sempre vi que poderia acontecer.
Perdi o caminho para casa, e as encruzilhadas são tantas... quantos becos poderá ter uma vida? Parecem milhares e a noite avizinha-se assustadoramente. Um dia vou baixar os braços, sentar-me no chão e contar os meus passos, quando cansaço por fim me vencer.
Um dia vou-te contar as entrelinhas... no dia que me levantar e voltar a caminhar.
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